Existem alguns elementos básicos para que a formulação biomolecular obtenha êxito, dentre os quais destacam-se os seguintes:
a) Lei do Mínimo: Essa lei prescreve que toda reação química e metabólica que ocorra no
organismo, deva ter um limite mínimo viável de cada componente envolvido na reação.
Ex.: Para a formação de T3 e T4, faz-se necessária a presença de Iodo e Tirosina, pois, se essas
duas substâncias não forem ministradas conjuntamente, essa reação poderá ocorrer de maneira não
satisfatória.
b) Uilização correta das unidades para vitaminas: Determinadas vitaminas são expressas em Unidade Internacional (U.I.). Nessa condição estão as vitaminas A, D e E. Para se chegar à correta formulação, deve-se estar atento às seguintes correspondências: 1 U.I. de vitamina A é igual a 0,3 mcg. 1 U.I. de vitamina D é igual a 0,025 mcg. 1 U.I. de vitamina E é igual a 1 mg (para cápsulas oleosas) e 0,5 mg (na forma de pó). As vitaminas B8 (Biotina), B9 (Ácido Fólico) e B12 (Cianocobalamina) são expressas em microgramas (mcg). As demais vitaminas são expressas em miligramas (mg). Existem duas formas da vitamina D, que são D2 (Ergosterol) e D3 (Colecalciferol). A forma D3 é mais biodisponível. A vitamina E deve ser prescrita em U.I. para que não haja equívocos na hora da formulação. A vitamina K, um pouco menos freqüente, não possui uma dosagem ideal, sendo usualmente prescrita de 100 a 300 mcg/dia. Para qualquer prescrição acima de 500 mcg/dia, é recomendado maior atenção, pois nessa quantidade, a vitamina K poderá causar efeitos colaterais. A vitamina C normalmente é prescrita apenas como Ácido Ascórbico, apresentando melhor atividade quando ministrada juntamente com Bioflavonóides. Os mais utilizados são: Rutina, Quercetina, Esperidina e Ginko biloba. Por ser muito instável e fortemente redutora não é recomendável sua prescrição numa formulação geral. Entretanto, na forma de Ascorbatos (Cálcio, Magnésio, Potássio ou Sódio), pode ser incluída nas formulações sem maiores problemas.
c) Sinergismo:A conjugação de diferentes componentes químicos, prescritos simultaneamente, produz uma interação dinâmica entre eles. (veja tabelas I e II)
TABELA I - INTERAÇÃO ENTRE VITAMINAS E MINERAIS
| VITAMINAS | PARCEIRAS VITAMINAS | PARCEIROS MINERAIS |
| A | B1, B2, B3, B6, C, E | Mg, Mn, P, K, Se, Zn |
| B1 | A, B2, B3, B5, B6 | Co, Cu, Fe, Mg, Mn, P, K, Se, Na, Zn |
| B2 | A, B1 | Cr, Fe, Mg, P, K, Zn |
| B3 | A, B1, B2, B5, B6, E | Cr, Fe, Mg, P, K, Se, Na, Zn |
| B5 | A, B1, B3, B6, C, E | Cr, P, K, Na, Zn |
| B6 | A, B1, B3, B5, B12, E | Cr, P, Mg, Mn, K, Se, Na, Zn |
| B12 | B1, B3, B5, B6, C, D, E | Ca, Co, Cu, P, Na |
| C | A, B3, B5, B6, E | Ca, Co, Cu, P, Na, Se |
| D | A, B12, E | Ca, Cu, Mg, Se, Na |
| E | A, B1, B3, B5, B6, B12, D | Ca, P, Mg, K, Se, Na, Zn |
Tabela II - INTERAÇÃO ENTRE VITAMINAS E MINERAIS
| MINERAIS | PARCEIROS |
| Cálcio | Cu,Mg, P, K, Se, Na |
| Cromo | Mg, K, Zn |
| Cobre | Ca, Co, Fe, Se, Na |
| Ferro | Cu, Cr, Mg, P, K, Se |
| Magnésio | Ca, Cr, Mn, P, K, Zn |
| Manganês | P, Mg, K, Zn |
| Fósforo | Ca, Mg, K, Na, Zn |
| Potássio | P, Mg, Mn, Na, Zn |
| Selênio | Ca, Na, Cu, P, Mg, K |
| Sódio | Ca, Co, Cl, Cu, P, K, Se |
| Zinco | Cr, Mg, Mn, P, K |
d) Vias de Administração: Dentre as diversas formas de administrar o medicamento, uma das que tem sido muito utilizada pela terapêutica biomolecular é a sublingual. Sua principal vantagem é a de que não há degradação da substância no trato gastrointestinal, levando a uma maior eficiência.
Entretanto essa via tem algumas restrições, quais sejam, o peso molecular que deve ser compatível para sua absorção e a irritabilidade da substância. Por exemplo, há muita solicitação do DMSO via sublingual, que, por causa de sua natureza irritatória, se presta à administração por essa via.
e) Posologia: Deve-se atentar à posologia, visto que as formulações biomoleculares geralmente superam a casa dos 1000 mg e fica impossível tecnicamente colocá-las em uma única cápsula. Para evitar erros, tanto para o paciente quanto para a farmácia, recomenda-se modificar a posologia usual (tome uma cápsula) para TOME UMA DOSE, pois uma dose pode ir de uma até várias cápsulas.
Exemplificando o acima narrado, se uma determinada fórmula resultar em cinco cápsulas por dose, muitas vezes o paciente (mal informado ou leigo) indaga ao farmacêutico se é para tomar uma ou cinco cápsulas, já que o médico prescreveu uma cápsula. Adotando essa posologia, essa confusão entre cápsulas e doses, desaparecerá.
f) Legibilidade da Receita: Não há forma definida para que a receita seja prescrita, podendo ser manuscrita, datilografada ou impressa. É muito comum receitas ilegíveis no balcão das farmácias. Com os avanços tecnológicos as farmácias passaram a receber as receitas via fax, gerando dificuldades na leitura e identificação dos componentes da fórmula. Essa dificuldade poderá levar a erros na manipulação, como por exemplo a troca dos minerais Manganês por Magnésio e vice-versa.
A formulação da medicina biomolecular é complemente diferente de todas as outras formulações, visto que o propósito dessa nova medicina é a de ser uma terapêutica essencialmente nutricional.
O princípio básico para as formulações biomoleculares é a reposição de aminoácidos, que devem ser prescritos na forma L (ex. L-Metionina); minerais (tabela III), geralmente em compostos variados (inorgânicos e orgânicos); vitaminas, que devem ser identificadas corretamente quanto às unidades de prescrição (U.I., mcg, mg) e enzimas, constituintes do nosso organismo, cujo consumo ocorre com o metabolismo.
Os aminoácidos devem ser tomados com o estômago vazio, e acompanhados de água ou suco de frutas.
A utilização de quelatos com aminoácidos tem particular interesse pela alta absorção, alta
tolerância e baixa toxicidade destes compostos. Os quelatos com aminoácidos são absorvidos intactos,
como dipeptídeos estáveis, sem se ionizarem no processo digestivo.
TABELA III - COMPOSIÇÃO DE ALGUNS COMPOSTOS MINERAIS
| COMPOSTO MINERAL | PORCENTAGEM DO MINERAL ATIVO |
| CÁLCIO | % Ca |
| Ca-ascorbato | 12,27 |
| Ca-aspartato | 28,04 |
| Ca-lactato | 18,37 |
| Ca-gluconato | 9,31 |
| Ca-orotato | 14,98 |
| Ca-pantotenato | 45,37 |
| Ca-trifosfato | 38,76 |
| Ca-quelado | 20 |
| MAGNÉSIO | % Mg |
| Mg-ascorbato | 7,42 |
| Mg-aspartato | 8,54 |
| Mg-citrato | 16,17 |
| Mg-gluconato | 5,33 |
| Mg-lactato | 12,01 |
| Mg-orotato | 8,89 |
| Mg-quelado | 10 |
| POTÁSSIO | %K |
| K-citrato | 38,28 |
| K-ascorbato | 20,1 |
| K-quelado | 20 |
Numa formulação biomolecular não há incompatibilidade no sentido literal da palavra. O sinergismo, a competitividade absortiva e o antagonismo natural dos componentes, sejam minerais, vitaminas ou aminoácidos, nos levam a adotar outros cuidados, além daqueles citados anteriormente.
A vitamina A protege a vitamina C da oxidação, sendo melhor mobilizada de seus depósitos hepáticos na presença do Zinco. As vitaminas do Complexo B, D, E e Cálcio, Fósforo e Zinco melhoram sua absorção. Medicamentos para diminuir o colesterol e laxantes com óleo mineral prejudicam sua absorção.
A vitamina B1 tem melhor aproveitamento quando acompanhada de B2 ,B6, além de B5, B9 e B12 e os minerais Cobalto, Cobre, Ferro, Magnésio, Manganês, Zinco, Selênio, Sódio e Potássio. Álcool, cafeína, estrógenos, antiácidos e medicamentos com sulfa diminuem sua absorção.
A vitamina B2 é tem melhor absorção quando ingerida junto com B3, B6 e C. Medicamentos antineuplásicos podem diminuir sua eficiência.
A vitamina B3 pode ser produzida no próprio organismo, a partir do Triptofano, na presença de B1, B2 e B6. A sua deficiência poderá causar o aumento de colesterol, além de determinar distúrbios na personalidade. As vitaminas A, B1, B2, B5, B6 e E e os minerais Cromo, Ferro, Magnésio e Zinco melhoram sua absorção. Álcool, sulfas e estrógenos diminuem a sua atividade.
A vitamina B6 tem aumento de eficácia quando tomada junto com B1, B2, B5, C e Magnésio. Álcool, estrógenos e diuréticos aumentam sua eliminação. O L-Dopa, administrado juntamente com a vitamina B6, tem sua eficácia reduzida.
A vitamina B12, juntamente com as demais vitaminas do Complexo B, vitaminas A, C e E e os minerais Cálcio, Cobalto, Cobre, Fósforo e Sódio tem sua absorção melhorada. Álcool, estrógenos, ácidos e a presença da luz solar diminuem sua eficiência.
A vitamina B15, ou Ácido Pangâmico, juntamente com as vitaminas A e E, tem sua eficácia aumentada. Ajuda no combate ao alcoolismo, e é indicada para o combate ao stress e fadiga.
A vitamina C tem sua absorção melhorada, quando ministrada juntamente com Bioflavonóides, vitaminas A, B3, B5, B6 e E e os minerais Cálcio, Magnésio, Fósforo, Selênio e Sódio. Sua velocidade de eliminação aumenta significativamente na presença do Ácido Acetil Salicílico.
A vitamina D melhora o aproveitamento do Fósforo e do Cálcio pelo organismo. A presença das vitaminas A e C, Colina, Cálcio e Fósforo levam a um aumento de sua eficácia. Medicamentos anti-convulsivantes podem levar à sua deficiência.
A vitamina E impede a oxidação de tecido adiposo, bem como das vitaminas A, C, Selênio e
Aminoácidos de Enxofre, além de ativar a vitamina A. Alguns fatores requerem uma suplementação de
vitamina E: hormônio-terapia, uso de anticoncepcionais, gravidez, amamentação, menopausa e a
suplementação de óleos graxos polinsaturados (EPA, Ômega 3, Prímula, Linhaça etc.).
SUGESTÃO DE CONCENTRAÇÕES BIOMOLECULARES PARA VITAMINAS E
OUTROS PRINCÍPIOS ATIVOS
| PRINCÍPIO ATIVO | UNIDADE DE MASSA | 0 A 4 ANOS | 5 A 15 ANOS | 16 A 50 ANOS | ACIMA DE 50 ANOS |
| Retinol | U.I./mg | 2,5 a 5 mg | 5 a 10 mg | 10 a 20 mg | 15 a 30 mg |
| Betacaroteno | U.I./mg | 1,2 a 3 mg | 3 a 6 mg | 6 a 15 mg | 15 a 30 mg |
| Tiamina | mg | 5 a 30 | 15 a 75 | 30 a 150 | 75 a 300 |
| Riboflavina | mg | 5 a 30 | 15 a 75 | 30 a 150 | 75 a 300 |
| Niacina | mg | 5 a 15 | 15 a 50 | 30 a 100 | 30 a 150 |
| Pantenol | mg | 5 a 30 | >30 a 75 | 50 a 150 | 75 a 250 |
| Piridoxina | mg | 5 a 30 | 15 a 75 | 50 a 150 | 75 a 250 |
| Inositol | mg | 10 a 20 | 20 a 50 | 50 a 300 | 75 a 500 |
| Biotina | mcg | 5 a 15 | 15 a 75 | 25 a 250 | 50 a 450 |
| Ácido Fólico | mcg | 25 a 50 | 40 a 100 | 50 a 200 | 100 a 300 |
| Paba | mg | 10 a 30 | 30 a 75 | 50 a 300 | 100 a 500 |
| Cobalamina | mcg | 25 a 50 | 50 a 300 | 100 a 600 | 300 a 700 |
| Ácido Pangâmico | mg | 10 a 200 | 20 a 50 | 50 a 100 | 75 a 150 |
| Ácido Ascórbico | mg | 250 a 500 | 1000 a 3000 | 3000 a 10000 | 6000 a 20000 |
| Calciferol | U.I./mg | 2,5 a 5 mg | 5 a 15 mg | 10 a 25 mg | 10 a 35 mg |
| Tocoferol | U.I./mg | 10 a 40 mg | 40 a 250 mg | 150 a 300 mg | 150 a 600 mg |
| Colina | mg | 50 a 100 | 100 a 300 | 150 a 500 | 200 a 600 |
| Carnitina | mg | 50 a 100 | 200 a 400 | 200 a 600 | 200 a 800 |
| Rutina | mg | 10 a 20 | 20 a 100 | 100 a 300 | 100 a 400 |
| Glutation | mg | 2 a 10 | 5 a 30 | 5 a 50 | 5 a 150 |
| Coenzina Q10 | mg | 2 a 50 | 5 a 50 | 5 a 100 | 5 a 300 |
Contudo, de nada adiantará uma prescrição médica, seguindo todos os conceitos acima descritos, se não houver uma qualidade total na formulação, por parte da farmácia e do farmacêutico responsável. Devem-se seguir rigorosamente os elementos contidos na receita, tendo sempre o canal aberto para troca de idéias, dosagem e confirmação dos componentes, e sugestões para substituições quando necessárias.
É obrigação da farmácia assegurar a boa qualidade da matéria prima, conhecendo sua origem e idoneidade dos fornecedores, além de manter intactas as características do produto, bem como seu armazenamento até o momento da manipulação. Nesta etapa o farmacêutico deve assegurar o cumprimento de todas as normas de qualidade (GMP e ISO), atingindo as metas estabelecidas nos PROGRAMAS DE QUALIDADE TOTAL.
Diante do relatado acima, conclui-se que a suplementação biomolecular é extremamente importante,
principalmente sob o aspecto científico desta terapêutica. Deve-se ter sempre em mente a relação
aberta e de confiança que deve haver entre o profissional formulador da receita e a farmácia de sua
escolha, a fim de que a qualidade da formulação atinja seus objetivos: saúde e qualidade de vida para
todos.
